quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Cinema de Primeira

Ridley Scott não nos entregava um filme de primeira linha desde 2001, ano em que veio à luz o ótimo Falcão Negro em Perigo, cuja direção lhe valeu uma indicação ao Oscar. Neste ínterim, o diretor de Blade Runner realizou filmes irregulares, tais como Os Vigaristas e Um Bom Ano.
Eis que, este ano, Scott nos presenteia com uma aula de direção e, por tabela, um excelente filme. Trata-se de O Gangster, que estreou na última sexta-feira (24/01), nos cinemas de todo o país.
A história é baseada na vida de Frank Lucas, ou pelo menos, na parte de sua vida relacionada ao tráfico de drogas, nos anos 70. Lucas revolucionou o mundo do tráfico, trazendo drogas da Ásia para os EUA, eliminando atravessadores e, com isso, ficando milionário do dia para a noite.
Mas O Gangster não trata apenas de Frank Lucas. Segue também os passos do policial Richie Roberts, ilha de honestidade em meio a uma polícia com lama até à alma. E fala da inevitável intersecção entre os caminhos do obstinado Roberts e do rei das drogas do Harlem, Lucas.
Além de uma técnica excelente, Ridley Scott ataca de ótimo diretor de atores – virtude que não está entre as suas principais – e guia Russell Crowe e Denzel Washington, vivendo Roberts e Lucas, respectivamente, para ótimas atuações. Destaque para a atuação de Josh Brolin, na pele de um policial corrupto da polícia de Nova York.
O Gangster é filme adulto, com indicação para maiores de 18 anos. Indicação elevada, por conta de uma violência crua, que vemos logo nos primeiros frames do longa e que Scott aplica em doses homeopáticas, toda vez que a trama tende para um ritmo mais lento (porém nunca chato).
O filme é longo, beirando as três horas de projeção, mas passa voando, como tudo que é bom. Compre muita pipoca e prepare-se para cinema de primeira.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

5 Títulos - Ele ou Ela?

Mulheres vestidas de homem!? Homens passando-se por mulheres!? Que confusão! Este é o tema de 5 Títulos desta semana! Produções em que nada é o que parece!
1. Vítor ou Vitória? - Julie Andrews vive uma cantora lírica, que se passa por homem para conseguir emprego. Indicado ao Oscar em seis categorias, levou o de melhor trilha sonora.
2. Tootsie - Neste de filme de Sidney Pollack, Dustin Hoffman é um ator sem emprego, por conta de seu gênio difícil, que passa a fazer sucesso em uma telenovela, depois de usar um disfarce de mulher. Lançado no mesmo ano de Vítor ou Vitória? (1982).
3. Uma Babá Quase Perfeita – Robin Williams brilha na pele de um pai que, impedido de ver seus filhos, disfarça-se de mulher para pleitear uma vaga de babá, na casa de sua ex-mulher.
4. Quanto Mais Quente Melhor – Para fugir de gângsters dispostos a lhes assassinar, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) vestem-se de mulher e infiltram-se na Sue e as Sincopadoras, banda formada apenas por moças.
Divertidíssima comédia de Billy Wilder, com Marilyn Monroe, como vocalista da banda.
5. Mulan – Para manter a honra da família, a jovem Mulan veste-se de homem e engrossa as fileiras do exército chinês, em lugar de seu pai, velho e doente. Animação da Disney com vozes de Eddie Murphy e Pat Morita (o eterno, Sr. Miyagi).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Morre cowboy gay!

Morreu, nessa última terça-feira, o ator australiano, Heath Ledger. O ator participou de bons longas, como O Segredo de Brockeback Mountain, Candy e A Última Ceia. Merece destaque sua atuação como cowboy gay em Brockeback Mountain, de Ang Lee, indicada ao Oscar 2006. Poderemos ver Ledger em The Dark Knight, continuação de Batman Begins, com uma, já comentada, atuação como o Coringa. Se der saudades, não recorra a Devorador de Pecados, péssimo filme, estrelado pelo ator.

Indicados ao Oscar 2008

Eis os indicados ao Oscar deste ano, nas principais categorias:

Melhor Filme

* Conduta de Risco
* Desejo e Reparação
* Juno
* Onde os Fracos Não Têm Vez
* Sangue Negro

Melhor Diretor

* Ethan e Joel Coen - Onde os Fracos Não Têm Vez
* Jason Reitman - Juno
* Julian Schnabel - O Escafandro e a Borboleta
* Paul Thomas Anderson - Sangue Negro
* Tony Gilroy - Conduta de Risco

Ator

* Daniel Day-Lewis - Sangue Negro
* George Clooney - Conduta de Risco
* Johnny Deep - Sweeney Todd
* Tommy Lee Jones - No Vale das Sombras
* Viggo Mortensen - Senhores do Crime

Atriz

* Cate Blanchett - Elizabeth - A Era de Ouro
* Ellen Page - Juno
* Julie Christie - Longe Dela
* Laura Linney - The Savages
* Marion Cottilard - Piaf - Um Hino de Amor

Ator Coadjuvante

* Casey Affleck - O Assassinato de Jasse James...
* Javier Bardem - Onde os Fracos Não Têm Vez
* Hal Holbrook - Na Natureza Selvagem
* Philip Seymour Hoffman - Jogos do Poder
* Tom Wilkinson - Conduta de Risco

Atriz Coadjuvante

* Amy Ryan - Medo da Verdade
* Cate Blanchett - Não Estou Lá
* Ruby Dee - American Gangster
* Saoirse Ronan - Desejo e Reparação
* Tilda Swinton - Conduta de Risco

Roteiro Original

* Brad Bird - Ratatouille
* Diablo Cody - Juno
* Nancy Oliver - Lars and The Real Girls
* Tamara Jenkins - The Savages
* Tony Gilroy - Conduta de Risco

Roteiro Adaptado

* Chritopher Hampton - Desejo e Reparação
* Ethan e Joel Coen - Onde os Fracos Não Têm Vez
* Paul Thomas Anderson - Sangue Negro
* Ronald Harwood - O Escafandro e a Borboleta
* Sarah Polley - Longe Dela


Fotografia

* Desejo e Reparação
* O Assassinato de Jasse James...
* O Escafandro e a Borboleta
* Onde os Fracos Não Têm Vez
* Sangue Negro

Edição

* Na Natureza Selvagem
* O Escafandro e a Borboleta
* Onde os Fracos Não Têm Vez
* O Ultimato Bourne
* Sangue Negro

Animação

* Persépolis
* Ratatouille
* Tá Dando Onda

Filme Estrangeiro

* Beaufort ( Israel)
* Katyn (Polônia)
* Mongol (Cazaquistão)
* The Counterfeiters (Áustria)
* 12 (Rússia)

A ditadura por outra ótica não vai ao Oscar!

Não deu para O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias e o Brasil está fora do Oscar 2008. Uma pena - como disse o próprio diretor do longa, Cao Hamburguer - não haver um representante latino na cerimônia deste ano, já que o cinema latino vem ficando cada vez mais forte no cenário mundial, encabeçado por Brasil, México e Argentina.
Mesmo não havendo indicação, vale a pena conferir essa fita que mostra a repressão imprimida pela ditadura militar (e suas conseqüências) pela ótica inocente de uma criança. E melhor, tendo a copa do mundo de 1970, como pano de fundo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

5 Títulos - Imprensa

Na coluna 5 Títulos, desta semana, temos filmes em que o jornalismo, a imprensa têm importante participação no enredo. Seja denunciando, manipulando ou sendo manipulada.

1. O Quarto Poder – John Travolta é feito de escada para um inescrupuloso jornalista ( Dustin Hoffman) voltar à cena do jornalismo, neste filme de Costa-Gravas.
2. Todos os Homens do Presidente – Jornalismo-denúncia no caso Watergate. Com Robert Redford e Dustin Hoffman.
3. Zodíaco – David Fincher nos presenteia com o envolvimento de dois jornalistas no caso do serial killer que nunca foi descoberto.
4. O Informante – Al Pacino é um produtor de TV que precisa da confiança de um alto-executivo da indústria do tabaco, para denunciar escândalo. Atuação magistral de Russel Crowe. Direção de Michael Mann.
5. Cidadão Kane – Clássico tido como um dos maiores filmes de todos os tempos. Inspirado na vida de um magnata da imprensa americana. O diretor Orson Welles foi jornalista antes de sua carreira cinematográfica.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Pode ter Brasil no Oscar 2008!

Sai nesta terça-feira (22) a lista com os cinco indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E o brasileiro O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias pode estar entre os indicados.
Uma primeira peneira já foi feita e de 63 filmes em uma primeira lista, restaram 9, dentre os quais está o ótimo O Ano..., do brasileiro Cao Hamburger.
A esperança é grande, mas tem gente de peso com filme concorrendo como pré-candidato. Denis Arcand e Giuseppe Tornatore, estão na briga, por exemplo.
Ficando entre os indicados, O Ano... tem grandes chances, por ter a comunidade judáica em seu enredo, mote que os membros da academia - muitos deles judeus - gostam bastante.
É ficar na torcida e ver o resultado aqui no CineBlog, junto com as demais indicações para o Oscar 2008.

Arrasa-quarteirão diferente!

Quando vemos Will Smith num cartaz, segurando um rifle de repetição e acompanhado de um cachorro, temos a impressão de que estamos diante de um filme de ação típico, movimentado e cheio de frases de efeito. Bem ao gosto do astro de filmes como Eu Robô e Homens de Preto. Mas não é o que acontece nesse Eu sou a lenda (I am legend), mais nova produção de Smith nos cinemas. Aqui, Smith é Dr. Robert Neville, sobrevivente, vivendo numa terra devastada por um vírus mortal. Neville passa seus dias tentando encontrar a cura para tal vírus e as noites se protegendo das criaturas raivosas nas quais alguns poucos humanos, que não morreram, foram transformadas.
Esta é a terceira vez que o romance Eu sou a lenda, de Richard Matheson, vai às telas. Vicente Price (Mortos Que Matam, 1964) e Charlton Heston ( A Última Esperança da Terra, 1971) viveram Dr. Robert Neville antes.
Nesta versão, dirigida por Francis Lawrence (Constantine), Smith passa a maior parte da produção contracenando com uma cadela da raça pastor-alemão, numa solidão de dar dó. E é disso que Eu sou a Lenda fala, solidão. Solidão com roupagem de terror, suspense, ação, mas solidão. E essa solidão sem perspectiva vai deixando Neville insano, o que rende boas risadas também.
É de se estranhar Smith quase em total silêncio, por boa parte da produção. Assim como vai ser estranho, para alguns, a pouca ação do longa, diferente de outros filmes, em que o astro tem uma bala e/ou uma tirada para cada cena. Mas o filme rende bons momentos e tensão de apertar a poltrona, como na cena em que a cadelinha escapa de Neville e entra em um prédio às escuras.
É um filme mais denso do que o trailer, o cartaz e até a presença de Will Smith nos créditos sugerem. É um 'filme com camadas' como o diretor e o astro pregaram em recente divulgação do filme no Brasil.
Lawrence peca por passear por vários gêneros -drama, ficção científica, terror, ação – sem se decidir por nenhum. Precisaria de mais tempo de projeção para tirar mais da solidão de se ser o último homem do mundo. Há também um gostinho de déjà vu, já que o roteiro lembra muito o inglês Extermínio (28 Days Later), de Danny Boyle.
Destaque para o importante papel da brasileira Alice Braga na trama. Com boa atuação, Alice faz bonito ao lado de Will Smith. Este, por sinal, mostra porque é um dos maiores astros de Hollywood, na atualidade, oferecendo uma atuação digna, que astros de ação de outra época, como Stallone e Schwarzenegger, nunca nos ofereceram.
Vale o ingresso e ainda tem trilha sonora recheada de Bob Marley, norteando o personagem.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sexta-feira tem estréia de arrasa-quarteirão

Estréia sexta-feira, em todo o país, um blockbuster daqueles, pois traz o maior astro hollywoodiano do momento e porque já rendeu mais de 200 milhões de dólares em sua ‘terra natal’. Trata-se de Eu sou a lenda, mega-produção que traz Will Smith – o tal maior astro do momento – no papel de último homem da terra, num planeta devastado por uma guerra biológica.
Com a presença da brasileira Alice Braga, a produção deve fazer números astronômicos, por aqui também. Diferente das ruas do planeta, mostradas vazias no filme, as salas de cinema devem ficar lotadinhas. E o cineblog traz comentário completo para você, já na sexta-feira de estréia.Por enquanto,vá saboreando o trailer aqui no CineBlog!

Trailer - Eu sou a lenda

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

5 Títulos - Chato, Eu!?

A partir de então, teremos uma lista semanal de cinco 'fitas' correlacionadas, na coluna '5 Títulos'. Os títulos serão sobre os mais variados temas dentro do cinema. Sempre com o intuito de nos fazer procurar ou revisitar alguns bons filmes - e outros não tão bons assim.
Nossa primeira lista é para quem acha que o cinema francês é massante, sonolento. Eis aqui cinco dos mais variados títulos de qualidade, nascidos em solo francês:

1. Acossado - Obra prima de Jean-Luc Godard, primórdios da Nouvelle Vague.
2. Cavalheiros do ar - Top Gun francês, com imagens aéreas mais do que convincentes.
3. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - Audrey Tatou numa fábula autruísta.
4. Rios Vermelhos - Suspense dos bons, com Jean Reno.
5. A Liberdade é Azul - Melhor representante da trilogia clássica de Krzystof Kieslowski.